Redação
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que a Prefeitura de Juscimeira, a 157 km de Cuiabá, adote medidas emergenciais para reforçar a segurança dos visitantes e conter danos ambientais na Cachoeira do Prata. A recomendação foi publicada nesta sexta-feira (9) e estabelece prazo de sete dias para a adoção das providências.
Entre as medidas indicadas estão a organização da visitação turística ou a suspensão temporária do acesso ao local. Caso a entrada de visitantes seja mantida, a prefeitura deverá retomar a coleta regular de lixo, instalar placas de alerta e educativas e disponibilizar uma estrutura mínima de apoio.
Dados do Corpo de Bombeiros citados pelo MPF apontam quatro mortes por afogamento entre 2021 e 2025 na região. Em 2026, também foi registrado um resgate aquático. Além disso, dois grandes incêndios florestais atingiram a área em 2025.
O documento destaca a falta de sinalização sobre áreas de risco e profundidade da água, além da ausência de estrutura adequada para a segurança dos turistas. Entre os perigos apontados estão saltos de pedras e a presença de cacos de vidro submersos.
A recomendação também prevê a divulgação das restrições de acesso nos canais oficiais e nas redes sociais. Outra medida é impedir a circulação e o estacionamento de veículos no leito rochoso do rio e em áreas de preservação permanente.
Além da prefeitura, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) estão entre os órgãos envolvidos nas providências recomendadas.
O MPF também recomendou que o Incra coordene, em até 15 dias após o recebimento do documento, a criação de um grupo de trabalho com representantes de órgãos públicos e da comunidade local.
O objetivo é discutir a organização do uso da área, a visitação turística e medidas para conciliar a preservação ambiental com as atividades desenvolvidas na região.
A Cachoeira do Prata e um trecho de 63 quilômetros do Rio do Prata são protegidos por tombamento estadual como patrimônio histórico, natural e paisagístico.
O MPF também identificou danos em uma área arqueológica situada a aproximadamente três quilômetros da cachoeira, onde existem pinturas e gravuras rupestres. Segundo o órgão, foram constatadas pichações e danos físicos às rochas.
Diante da situação, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi acionado para realizar uma avaliação técnica dos danos e indicar medidas para a preservação e recuperação do patrimônio arqueológico.
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